DESCRIÇÃO DO PATRIMÔNIO
A Casa de Oyá é um terreiro de candomblé localizado na Rodovia Ilhéus–Uruçuca, Km 06, s/n, município de Ilhéus, Bahia, implantado em uma área aproximada de 1,5 hectares, inserida em fragmento de Mata Atlântica. O território apresenta histórico de uso antrópico associado à habitação e à agricultura, coexistindo atualmente com áreas de vegetação nativa em estágio intermediário de regeneração. O bem é constituído por um conjunto territorial que inclui edificações destinadas às atividades religiosas, espaços abertos para a realização de rituais, áreas de mata preservada, cursos d’água, nascentes e pequenas represas. Esses elementos compõem uma unidade material indissociável, estruturada segundo os princípios cosmológicos do candomblé, nos quais o espaço físico é compreendido como fundamento das práticas religiosas e da organização social do terreiro. O território abriga significativa biodiversidade, incluindo espécies endêmicas e ameaçadas de extinção, como o mico-leão-da-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas). O clima é quente e úmido, com chuvas distribuídas ao longo do ano, e o solo apresenta predominância arenosa. A proximidade com importantes corpos d’água regionais, como o reservatório do Iguape e os rios Almada e Cachoeira, reforça a relevância ambiental e funcional do espaço. As edificações e áreas naturais da Casa de Oyá são utilizadas de forma contínua para práticas religiosas, ações educativas, atividades culturais e iniciativas comunitárias, configurando o terreiro como um bem material ativo, cuja integridade territorial é condição essencial para sua função sociocultural.
JUSTIFICATIVA DE RELEVÂNCIA PATRIMONIAL
A relevância patrimonial da Casa de Oyá fundamenta-se em seu caráter de território sagrado materialmente constituído, no qual edificações, paisagem natural e recursos ambientais formam um conjunto inseparável das práticas religiosas do candomblé. Trata-se de um espaço cuja materialidade não pode ser dissociada de seus usos sociais, culturais e simbólicos, característicos das religiões afro-brasileiras. O bem expressa formas específicas de ocupação do território, manejo ambiental e relação com a natureza, baseadas em saberes tradicionais de matriz africana e afro-brasileira. A presença de áreas de Mata Atlântica em regeneração, associada à proteção de nascentes e à convivência com espécies da fauna ameaçadas, evidencia práticas de cuidado ambiental que conferem ao espaço relevância não apenas cultural, mas também ecológica. Enquanto patrimônio material, a Casa de Oyá representa um exemplo significativo da permanência histórica dos terreiros de candomblé no sul da Bahia, afirmando-se como referência de resistência cultural, organização comunitária e produção de sociabilidades orientadas por valores ancestrais. Sua preservação é fundamental para a continuidade das práticas religiosas, educativas e comunitárias ali desenvolvidas, bem como para o reconhecimento da contribuição das religiões de matriz africana na formação histórica e cultural da região. O reconhecimento e a proteção da Casa de Oyá como bem patrimonial contribuem para a salvaguarda de um território culturalmente qualificado, cuja materialidade sustenta modos de vida, saberes tradicionais e práticas sociais historicamente marginalizadas, mas socialmente relevantes para a diversidade cultural brasileira.
ACESSIBILIDADE
Contato: E-mail: casadeoya.ios@gmail.com


