DESCRIÇÃO DO PATRIMÔNIO
Localizada na zona central de Ilhéus, a Praça Castro Alves é um espaço público que articula a área comercial ao antigo porto. Historicamente, o traçado da praça reflete o projeto urbanístico do início do século XX, que buscava espelhar modelos europeus de modernidade financiados pela economia cacaueira. Contudo, a dinâmica do espaço foi além de uma praça de homenagem cívica: o local é, há décadas, o território de ofício de Dona Irene, detentora do saber tradicional do acarajé. A praça apresenta hoje um mobiliário urbano resultante de intervenções recentes (2019), que buscaram reorganizar o fluxo de pedestres e o comércio de alimentos, mantendo-se como um ponto de alta densidade de circulação popular e sociabilidade ilheense.
JUSTIFICATIVA DE RELEVÂNCIA PATRIMONIAL
A relevância da Praça Castro Alves reside no tensionamento e na coexistência de diferentes memórias. Por um lado, evoca a figura do poeta Castro Alves, cuja obra é central para o abolicionismo brasileiro, embora o monumento muitas vezes tenha servido apenas como adorno à estética de uma elite local. Por outro, o espaço se ressignifica como "Praça da Irene", onde a ancestralidade do acarajé, alimento ritual e de resistência da diáspora africana, ocupa também o centro da cena do local. A importância patrimonial não está só na "beleza" da construção, mas também em ser um espaço de trabalho e sustento das comunidades tradicionais de terreiro e das baianas de acarajé. Preservar este local é reconhecer o Ofício das Baianas como patrimônio imaterial que humaniza o espaço público e subverte a lógica puramente mercantilista do centro histórico, garantindo a permanência do corpo negro e de suas práticas culturais no coração da cidade.
ACESSIBILIDADE
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