DESCRIÇÃO DO PATRIMÔNIO
A Igreja de Nossa Senhora da Escada está localizada no distrito de Olivença, a aproximadamente 15 km da sede de Ilhéus, em praça central onde ocorrem importantes manifestações religiosas e culturais da comunidade local. A edificação foi construída entre o final do século XVII e o início do século XVIII, no contexto dos aldeamentos jesuíticos implantados no litoral sul da Bahia. O templo integra um conjunto histórico diretamente relacionado à formação da antiga aldeia de Nossa Senhora da Escada, posteriormente elevada à condição de vila. Em seu entorno realizam-se festas tradicionais como a Festa de Nossa Senhora da Escada, padroeira do distrito, a Festa do Divino e a Puxada de Mastro de São Sebastião, práticas que articulam dimensões religiosas, culturais e comunitárias. A igreja foi tombada como patrimônio cultural pelo Estado da Bahia em 2010, após estudos técnicos conduzidos pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC).
JUSTIFICATIVA DE RELEVÂNCIA PATRIMONIAL
A relevância patrimonial da Igreja de Nossa Senhora da Escada decorre de sua antiguidade, de seu valor arquitetônico e, sobretudo, de sua complexa inserção histórica e cultural. O templo constitui um raro testemunho material dos aldeamentos jesuíticos no sul da Bahia, vinculados aos processos de colonização e catequese indígena iniciados no final do século XVII. Nesse contexto, a igreja expressa as estratégias de dominação religiosa impostas às populações nativas, reunindo diferentes grupos indígenas sob a administração missionária. Após a expulsão dos jesuítas, em 1759, o espaço passou a assumir novos significados, sendo progressivamente apropriado pela comunidade indígena local como lugar de permanência, resistência e reconstrução de identidades. As manifestações culturais realizadas diante do templo, especialmente a Puxada de Mastro de São Sebastião, reconhecida por sua origem indígena anterior à chegada dos portugueses, reforçam a continuidade de práticas sociais e rituais ao longo do tempo. O tombamento estadual reconhece não apenas o valor arquitetônico da edificação, mas também seu papel como sítio de memória, expressão de conflitos históricos, negociação cultural e afirmação identitária da comunidade de Olivença no presente.
ACESSIBILIDADE
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