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Festa de Iemanjá

NATUREZA

Imaterial

TEMÁTICA

Afro-Brasileiros

LOCALIZAÇÃO

Ilhéus, BA, Brasil

SITUAÇÃO

Ativo

ACESSO

Livre

RESPONSÁVEL

Povos de Santo, pescadores e jangadeiros, com apoio da Prefeitura Municipal de Ilhéus e demais instituições públicas.

DESCRIÇÃO DO PATRIMÔNIO

A Festa de Iemanjá em Ilhéus é uma manifestação religiosa e popular dedicada à Orixá das águas salgadas. O evento é organizado pelos terreiros de Candomblé e Umbanda da região, que conduzem rituais de xirê, toques de atabaque e a preparação dos balaios de oferendas (presentes). O ponto alto ocorre no período da tarde, quando uma procissão marítima leva os presentes ao alto-mar. A festa caracteriza-se pela ocupação ritualística e simultânea da orla marítima em três pontos estratégicos da cidade: a Maramata, no bairro do Pontal; a Praia do Cristo, na região central; e a Litorânea Norte, no bairro do Malhado. Em cada um desses polos, comunidades de terreiro, pescadores e devotos se reúnem para realizar cânticos, orações e a entrega de oferendas à Orixá das águas salgadas. A manifestação é marcada pelo toque dos atabaques e pelo cortejo de embarcações que levam os balaios ao mar aberto. A celebração continua atraindo milhares de fiéis, simpatizantes e turistas, unindo ritos tradicionais à festividade de rua, com grupos de samba de roda, capoeira e culinária típica ocupando as areias e calçadões.

JUSTIFICATIVA DE RELEVÂNCIA PATRIMONIAL

A relevância da Festa de Iemanjá consiste na sua força como instrumento de ocupação e visibilidade das religiões de matrizes africanas no espaço público. Historicamente, essas manifestações foram perseguidas ou marginalizadas; sua existência hoje, como um dos maiores eventos do calendário municipal, é um testemunho da resiliência dos povos de terreiro de Ilhéus. Ao contrário de visões que tentam "folclorizar" a data para fins meramente turísticos, a festa deve ser reconhecida como um patrimônio que garante a manutenção de uma epistemologia africana viva. Ela preserva saberes sobre ervas, culinária ritual, cantos em línguas ancestrais e a relação sagrada com o mar. Reconhecer este bem é um ato de salvaguarda contra a intolerância religiosa, reafirmando que o patrimônio de Ilhéus não é feito apenas de pedras e cal, mas da espiritualidade e da presença do corpo negro na cidade. A preservação da festa assegura o direito à liberdade de culto e valoriza a herança dos ancestrais que, através do mar, reconstruíram suas identidades em solo baiano.

ACESSIBILIDADE

Ocorre anualmente em diversos pontos do município, no dia 02 de fevereiro.

MÍDIAS DO PATRIMÔNIO

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