DESCRIÇÃO DO PATRIMÔNIO
A Festa de Erê é uma festa anual realizada pela Casa de Oyá, terreiro de candomblé localizado na Rodovia Ilhéus–Uruçuca, km 06, no município de Ilhéus, Bahia. A festa é dedicada aos Ibêjis, orixás gêmeos do panteão iorubá associados à infância, à alegria e à proteção das crianças, constituindo-se como uma prática religiosa e cultural de matriz afro-brasileira enraizada no território onde ocorre. A festa mobiliza principalmente moradoras e moradores do bairro periférico Novo Ilhéus, além de pessoas vinculadas à Escola Agrícola Comunitária Margarida Alves, instituição que mantém relação direta com a Casa de Oyá e com a comunidade local. Sua realização envolve tanto dimensões rituais quanto ações de caráter comunitário e educativo, reforçando vínculos sociais e religiosos. Entre as práticas centrais da festa destacam-se a tradicional distribuição de caruru e doces, elementos rituais associados aos Ibêjis e amplamente reconhecidos nas tradições do candomblé. A programação também inclui atividades culturais e formativas, que variam a cada edição, ampliando o alcance social da festa e fortalecendo sua dimensão pública e comunitária. Nas edições mais recentes, a Festa de Erê incorporou oficinas abertas ao público, abordando temáticas como bioconstrução, alimentação afrodiaspórica e proteção à infância, evidenciando sua capacidade de atualização e diálogo com demandas contemporâneas. Trata-se, portanto, de uma festa que articula religiosidade, cultura, sociabilidade e ação comunitária, mantendo continuidade histórica e relevância social em Ilhéus.
JUSTIFICATIVA DE RELEVÂNCIA PATRIMONIAL
A Festa de Erê apresenta relevância patrimonial por constituir uma manifestação cultural e religiosa de matriz afro-brasileira que articula saberes, práticas e valores transmitidos de forma contínua no âmbito do candomblé e das comunidades que o sustentam. Sua realização anual reafirma a centralidade dos Ibêjis na cosmologia iorubá e no candomblé, ao mesmo tempo em que valoriza a infância como princípio simbólico, social e comunitário. A festa expressa modos específicos de festejar, de organizar a vida religiosa e de construir pertencimentos coletivos, especialmente em um território periférico de Ilhéus. Ao envolver diretamente moradores do bairro Novo Ilhéus e pessoas atendidas por uma escola comunitária, a Festa de Erê assume papel relevante na produção de vínculos sociais, na circulação de saberes tradicionais e na afirmação de identidades afro-religiosas historicamente marginalizadas. A distribuição ritual de alimentos, como o caruru e os doces, constitui um elemento central de continuidade cultural, conectando práticas religiosas, memória coletiva e sociabilidade. Esses saberes alimentares e rituais são transmitidos intergeracionalmente, reforçando a dimensão educativa e formadora da festa no interior da comunidade. Além disso, a incorporação de oficinas e atividades formativas em edições recentes demonstra a capacidade da Festa de Erê de se atualizar sem perder seus fundamentos tradicionais, ampliando seu impacto social e cultural. O reconhecimento e o apoio por meio de políticas públicas de fomento cultural, como as Leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc, evidenciam sua importância enquanto bem cultural vivo, dotado de significado histórico, social e cultural para o município de Ilhéus. Dessa forma, a Festa de Erê se configura como um bem cultural de natureza imaterial cuja relevância patrimonial reside na articulação entre religiosidade, cultura afro-brasileira, memória, ação comunitária e produção de sentidos coletivos no espaço urbano.
ACESSIBILIDADE
Contato: E-mail: casadeoya.ios@gmail.com / fenixkarine@gmail.com










