DESCRIÇÃO DO PATRIMÔNIO
A Casa de Oyá é uma organização de cunho religioso, sociocultural e comunitário, fundada em 2015, situada na Rodovia Ilhéus–Uruçuca, Km 06, s/n, CEP 45662-899, no município de Ilhéus, Bahia. Trata-se de um espaço constituído por filhas e filhos de santo que têm o candomblé como identidade religiosa, bem como por outras pessoas que reconhecem essa religiosidade enquanto expressão cultural afro-brasileira a ser preservada e valorizada. A Casa de Oyá desenvolve ações voltadas à preservação da ancestralidade africana e à manutenção de saberes, práticas e tecnologias afro-brasileiras, articulando dimensões religiosas, culturais, educativas, ambientais e comunitárias. Suas atividades abrangem iniciativas de preservação e conservação ambiental, incentivo à organização comunitária e promoção de novas formas de sociabilidade, especialmente no que se refere às relações de gênero e geração no Litoral Sul Baiano. A organização é dirigida por Hundira Souza da Cunha, conhecida religiosamente como Loyá Barin, consagrada ao orixá Iansã Dewí. Filha do Ilê Axé Ijexá Orixá Olufan, atua como yalorixá e também como historiadora, mestra em Educação e professora da Rede Estadual de Ensino da Bahia, desenvolvendo práticas pedagógicas voltadas a uma educação antirracista e antissexista. Sua atuação se estende à promoção do autocuidado, à formação de redes de apoio entre mulheres, à educação perinatal e à difusão do Canto Pré-Natal no Brasil. A Casa de Oyá orienta suas ações institucionais a partir de uma missão, visão e valores fundamentados na ancestralidade africana e afro-brasileira, priorizando princípios como ancestralidade, senioridade, oralidade, ética, solidariedade, equidade, matrigestão e respeito a todas as formas de vida. Constitui-se, assim, como um espaço de referência religiosa e cultural, com forte inserção comunitária e territorial.
JUSTIFICATIVA DE RELEVÂNCIA PATRIMONIAL
A Casa de Oyá apresenta relevância patrimonial por se constituir como um espaço de produção, preservação e transmissão de valores, saberes e práticas vinculados às culturas africanas e afro-brasileiras, especialmente no campo das religiões de matrizes africanas. Sua atuação articula religiosidade, cultura, educação, cuidado e organização comunitária, configurando-se como um bem cultural de natureza imaterial com forte enraizamento territorial. A centralidade da ancestralidade, da oralidade e da senioridade nas práticas desenvolvidas pela Casa de Oyá contribui para a continuidade de conhecimentos tradicionais historicamente transmitidos no âmbito do candomblé. Esses saberes ultrapassam o campo estritamente religioso, alcançando dimensões sociais, ambientais e educativas, ao promover formas de relação com o território, com o corpo, com a natureza e com a coletividade. A relevância patrimonial da Casa de Oyá também se expressa em sua atuação voltada à construção de novas sociabilidades, especialmente no enfrentamento das desigualdades de gênero e geração. A valorização da matrigestão, da equidade e da solidariedade confere centralidade às mulheres e às redes de cuidado, reafirmando princípios estruturantes das tradições afro-brasileiras em diálogo com demandas contemporâneas das comunidades periurbanas do Litoral Sul Baiano. Além disso, a Casa de Oyá desempenha papel significativo na organização comunitária e no apoio a populações situadas na zona de transição entre os municípios de Ilhéus e Uruçuca, fortalecendo vínculos sociais e promovendo ações de base territorial. Dessa forma, sua importância patrimonial reside tanto na preservação de valores ancestrais quanto na capacidade de atualização e intervenção social, configurando-se como um bem cultural vivo, dotado de significado histórico, social, cultural e comunitário.
ACESSIBILIDADE
Contato: E-mail: casadeoya.ios@gmail.com





